Bulas de remédios mais compreensíveis e seguras

Como tornar bulas de remédios mais compreensíveis e seguras

Projeto aplica técnicas de inteligência artificial para analisar e propor formas mais acessíveis de apresentação dessas informações

Marcus Vinicius dos Santos
28 de abril de 2026


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Ao abrir uma bula, muitos pacientes esbarram em termos técnicos, palavras pouco usuais e frases longas. A leitura trava. O problema ganha escala quando se considera que cerca de metade da população brasileira cursou apenas o ensino fundamental. Há, portanto, um descompasso entre a linguagem desses textos e a capacidade média de leitura dos usuários.

O Projeto Bulas brasileiras e uso racional de medicamentos: leiturabilidade e promoção de letramento com apoio computacional aplica técnicas de inteligência artificial para analisar e propor formas mais acessíveis de apresentação dessas informações. A iniciativa é coordenada pela professora Maria José Bocorny Finatto (UFRGS), junto com as pesquisadoras Aline Marins Paes (UFF) e Daniela Claro (UFBA), desenvolvida no âmbito do INCT TILDIAR.

A pesquisa reúne bulas de medicamentos distribuídos pelo Programa Farmácia Popular do Brasil e organiza uma coleção de textos representativos, para análise. Com apoio de linguística computacional e processamento de linguagem natural, a equipe identifica padrões de complexidade, vocabulário recorrente e trechos críticos para a compreensão. Também, desenvolve versões simplificadas, glossários e alternativas de redação ajustadas a diferentes níveis de letramento.

O trabalho conecta linguagem clara, saúde, dicionários, tradução e ferramentas digitais.

Informação que não se entende não cumpre sua função

Segundo as pesquisadoras, quando a bula falha, aumentam as chances de uso incorreto do medicamento. Por isso, a simplificação é tratada como parte do uso racional e da segurança do paciente, não como revisão estética.

Do ponto de vista da IA responsável, o projeto incorpora critérios explícitos de avaliação. Eles combinam clareza, fidelidade científica e adequação ao público. Também prevê validação com especialistas, além de considerar o uso real por pacientes, aspecto ainda pouco explorado em sistemas baseados em linguagem. Os dados produzidos alimentam sistemas como a Ferramenta MedSimples UFRGS e o CorPop, da mesma Universidade, ampliando recursos para o português simplificado em saúde.

Como desdobramento, a iniciativa contribui para estruturar métodos replicáveis de análise e simplificação de textos técnicos. Também tem potencial de aplicação em outros contextos críticos. Entre os próximos passos a serem seguidos estão formar estudantes, publicar resultados e realizar um workshop multidisciplinar, ainda em 2026.

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O processo é em fluxo contínuo. As propostas devem estar alinhadas aos desafios científicos prioritários de cada eixo e atender a alguns requisitos, disponíveis aqui, neste link (documento guia).

Todas as requisições devem ser feitas neste Formulário. Elas serão analisadas pelo coordenador de eixo e pelo Comitê Gestor.

Notícia publicada originalmente na Newsletter INCT TILDIAR #4 – Abril de 2026

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